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quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Presos




Não me perco nos teus olhos, antes me encontro no teu olhar
Tão bom é sentir-me solto, nesse abraço que me prendes
Que me amarro mais fortemente, levemente com vigor
Soltando nesse momento o beijo em que te prendo


É um abrigo em que me abrigo a tua serenidade
Sabendo que me prendes na tua liberdade
Livre cativo à solta dos teus braços
Em que me escondo e envolvo


Sei que em mim gostas de estar
Perdendo-te levemente
Porque que nos meus olhos
Te podes sempre encontrar



DelfimPeixoto

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Sou uma cor




Sou quadro vivo, pintado por ninguém
Sou multicolor, abstracto, indecifrável
Mas lamento nessa mistura de cores
Não encontrar a tonalidade base


Sou branco, azul, verde, amarelo,
Não sei se serei preto, castanho
Encarnado não me reconheço
Laranja é vivo demasiado


Sei que tenho uma cor
Nessa imensidão de luminosidade
Mas não me descortino na variedade
Para grande dor


Sei que sou um quadro
Sem alguma moldura
Mas gostava de saber
Qual a cor que me amargura




DelfimPeixoto

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Sonata






É o aroma do teu beijo,
Na ternura do teu abraço,
Que fala e canta o teu amor
Como sonata no entardecer


E agarro-te como se fosses cristal
Sentindo na respiração do teu silêncio
As palavras que deténs como tesouro
Sentindo no teu olhar as sílabas
Do que temes dizer


Leio- te desnuda como poema
Ou pintura célebre por decifrar
Compondo no teu corpo uma Élegie
Em pianos subtis com crescendos lentos
Que entoas como ave na Primavera


E já não sou eu quem te toca
Mas a minha alma que te sente,
Despida de discursos escusados,
Num véu de murmúrios geniais
Em codas e cânones corporais


DelfimPeixoto

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

O teu abraço





Trazes palavras serenas
Nesse olhar que me fascina
E complicações tão amenas
Nesse beijo que me desatina


Sinto-me como mar sossegado
Quando apertado no teu abraço
Sentindo-te porto abrigado
Do lodo e do sargaço


Nesse momento tudo se apaga
E de ti sinto uma luz
Na mão que me afaga


E sinto-me tão feliz assim
Sem tudo e sem nada
Tendo-te assim amarrada


DelfimPeixoto

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Vencer



Mesmo quando sonhamos
Os sonhos não são perfeitos
E quando acordamos
Sentimo-nos imperfeitos


Os sonhos são como a vida
Se não lutares perdes,
Seu quiseres ganhar, lutas
Se lutares podes vencer


Nada acontece por acaso
Tudo é um prémio que se ganha
Depois do esforço e persistência


Tudo é uma questão de querer,
Ou desistir de querer
Geralmente quem quer, ganha!


DelfimPeixoto

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Livremente preso....



Ai se eu nunca errasse,
Se nunca causasse tristezas
Talvez um dia amasse
Sem quaisquer incertezas


Queria ter a força desse amor
E lutar contra os ventos
E até sentir a dor
De perceber os sentimentos


Sou um homem apenas
E o meu amor é mortal
Não vou fazer cenas
E dizer-te que sou anormal


Mas como eu ainda vivo
E do amor estou certo
Quero-me assim de ti cativo


Não que eu não ame a Liberdade,
Mas antes assim a ti ferreamente preso
Que livre e solto com a saudade


DelfimPeixoto

Beijos molhados



A chuva chove não pelo céu estar triste
Mas para cair no jardim e regar as flores
Tal como o beijo que me sentiste
E mordes para onde fores


E é tão bom assim
Quando chovem nos meus lábios
As gotas dos lábios teus
Que bebem a chuva dos meus


A chuva é uma marota
Porque nos quer amarrados
Tal fosses uma garota
E nós dois uns namorados


Mas gosto que chova forte
E o vento seja assanhado
Para poder ter a sorte
De em ti estar abrigado


São desejos infantis
Mas por uma simples razão
Esses beijos gentis
Sentem-se bem no coração


Espero que amanhã chova
E eu esteja ao teu lado
Não há nada que me remova
Nem que eu esteja encharcado



DelfimPeixoto

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Acordo



Separa-se da mente a Razão cortante
Tentando voar livre e solta como a emoção
Sentindo um rasgo de liberdade
Que não se deixa apanhar


Fragmentos de constantes ilações
Quebram-se caindo no chão
Experimentando pela primeira vez
O sabor dos sentidos e da dor


Fica a emoção livre dando ao corpo sentido
Evitando conclusões ou previsões
Vivendo a vida que sorve
Antes do regresso da Razão


De novo na mente
As duas se abraçam
Acordando viver em par
Decidindo evitar intrusões
Nos campos em que ambas semeiam
O Pensamento e as sensações




Delfim Peixoto © ®

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Sombra


Já só a minha sombra entendo.
Tem uma função vital:
Seguir-me, vá para onde for,
Seja a rir ou tenha eu dor


É a minha eterna companhia
Apesar de não me dizer nada
Mas ouve tudo o que digo
E diz tudo sendo calada


Nem os meus gestos questiona
Porque me imita constantemente
Nem na dança me abandona
E ampara-me sistematicamente


Curioso é que quando vou dormir
Ela desaparece num instante
Parece que foi embora,
Mas se acendo a luz ela volta a vir



Delfim Peixoto © ®

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Prece






Faço hoje uma Prece
Porque há muito que não peço nada
Ajuda-me a a ir mais além de mim
E a sentir mais do que o que me enfada


Deixa um pouco do sofrimento
A quem nada ainda sofreu
E dá algum descanso
A quem de outro modo ainda não viveu


Que as cores do arco-íris sejam sempre naturais,
Os mares sejam sempre azuis,
A chuva seja água pura do céu


Por fim peço mais uma singela dádiva:
Que quem amo seja mais amado,
Que quem me ama seja para sempre abençoado


Delfim Peixoto © ®